Renting automóvel: o que é e para que serve

Se procuras um carro novo, o renting automóvel poderá ser uma solução. Descobre o que é e se compensa para o teu caso. 

O que é o renting automóvel e para que serve

Um carro novo, com todas as despesas incluídas, sem preocupações com seguros, manutenções ou inspeções. Tudo isto, com o pagamento de mensalidades ajustadas a cada caso e sem necessidade de te descapitalizares com uma grande entrada inicial. Bem-vindo ao mundo do renting automóvel, uma das formas mais populares de financiar um carro em Portugal. Descobre em que consiste e confirma se é uma boa escolha para ti.

O que é renting automóvel?

O renting automóvel, também conhecido como Aluguer Operacional de Viaturas (AOV), é um contrato de aluguer de viatura celebrado entre uma locadora (proprietária do veículo) e o locatário (cliente). Neste modelo, o utilizador paga uma mensalidade fixa para utilizar o carro durante um período definido, mediante condições como quilometragem máxima e serviços incluídos.

Ao contrário da compra ou do financiamento, o utilizador não adquire a propriedade do veículo, limitando-se à sua utilização durante o contrato.

O que está incluído num contrato de renting?

Uma das principais vantagens do renting auto é o facto de a mensalidade poder incluir vários custos associados à utilização do veículo, tornando a gestão mais simples e previsível. No entanto, os serviços incluídos podem variar consoante a empresa, o tipo de viatura e as condições acordadas no contrato.

Dependendo do contrato, podem estar incluídos:

  • Manutenção e revisões: intervenções regulares e manutenção programada do veículo;
  • Pneus: substituição e gestão do desgaste, de acordo com as condições contratadas;
  • Seguro automóvel: cobertura definida no contrato, normalmente incluindo responsabilidade civil, podendo também incluir danos próprios;
  • IUC (Imposto Único de Circulação): pagamento do imposto anual do veículo;
  • Inspeção periódica obrigatória (IPO): controlo e agendamento das inspeções legais;
  • Assistência em viagem: apoio em caso de avaria ou imobilização do veículo;
  • Viatura de substituição: disponibilizada em caso de avaria, acidente ou manutenção prolongada, quando incluída no contrato;
  • Gestão de sinistros: apoio no acompanhamento de processos em caso de acidente;
  • Matrícula, legalização e gestão administrativa: custos e processos associados à documentação e utilização legal do veículo;
  • Limite de quilómetros: quilometragem contratada para o período de utilização, podendo existir custos extra se for ultrapassada;
  • Condições de devolução: regras sobre o estado da viatura no final do contrato, incluindo desgaste considerado normal e eventuais encargos adicionais;
  • Serviços opcionais: soluções adicionais como cartão de combustível, gestão de portagens, coberturas de seguro superiores ou extensão da viatura de substituição.

Antes de assinar, é importante confirmar exatamente o que está incluído na mensalidade, quais são as exclusões e que custos podem surgir no final do contrato.

O que não está incluído num contrato de renting?

Apesar de o renting auto permitir concentrar vários custos numa mensalidade fixa, nem todas as despesas estão necessariamente incluídas. As exclusões variam consoante o contrato, por isso é importante confirmar antecipadamente que serviços ficam de fora e em que situações podem existir custos adicionais.

Dependendo das condições contratadas, podem não estar incluídos:

  • Combustível ou carregamentos elétricos: regra geral, os custos de utilização diária do veículo ficam a cargo do condutor;
  • Portagens, estacionamento e multas: despesas associadas à circulação, infrações ou utilização de parques pagos;
  • Excesso de quilómetros: se a quilometragem contratada for ultrapassada, pode ser cobrado um valor adicional por quilómetro;
  • Danos por má utilização: reparações resultantes de negligência, uso indevido ou incumprimento das condições do contrato;
  • Desgaste considerado anormal: danos na carroçaria, interior, jantes, pneus ou outros componentes que excedam o desgaste normal de utilização;
  • Franquias do seguro: em caso de sinistro, pode existir um valor a pagar pelo utilizador, mesmo que o seguro esteja incluído;
  • Serviços não contratados: viatura de substituição, pneus, coberturas extra ou assistência alargada podem não estar incluídos se não constarem no contrato;
  • Alterações ou acessórios não autorizados: instalação de equipamentos, modificações ou personalizações sem aprovação da empresa de renting;
  • Custos no final do contrato: eventuais encargos relacionados com danos, quilómetros adicionais, falta de documentação, chaves ou acessórios;
  • Rescisão antecipada: terminar o contrato antes do prazo acordado pode implicar penalizações ou custos adicionais.

Antes de avançar com um contrato de renting, é essencial analisar as exclusões, os limites de utilização e as condições de devolução da viatura. Assim, é possível evitar surpresas e perceber o verdadeiro custo do serviço ao longo de todo o contrato.

Como funciona o renting automóvel?

Aderir ao renting automóvel é relativamente simples. Em termos práticos, funciona quase como um passo a passo:

  1. Escolha da viatura: o cliente seleciona o modelo pretendido, tendo em conta o segmento, a motorização e as necessidades de utilização (cidade, viagens longas, uso profissional, etc.).
  2. Definição da duração do contrato: o período é acordado entre as partes, normalmente entre 12 e 72 meses, e irá influenciar diretamente o valor da mensalidade.
  3. Definição da quilometragem anual: é estabelecido um limite de quilómetros por ano. Este ponto é importante porque o valor do contrato é ajustado ao nível de utilização previsto.
  4. Cálculo da mensalidade: com base na viatura escolhida, duração e quilometragem, é definido um valor fixo mensal. Este valor já inclui os serviços contratados.
  5. Serviços incluídos: dependendo do contrato, podem estar incluídos custos como manutenção, revisões, seguro, impostos, assistência em viagem, pneus e viatura de substituição.
  6. Durante o contrato: o cliente utiliza o veículo normalmente, sem ser proprietário do mesmo, enquanto a empresa de renting assegura a gestão dos serviços incluídos.
  7. Devolução final: no fim do contrato, o veículo é devolvido à locadora, que avalia o estado de conservação. Depois disso, o cliente pode optar por renovar o contrato, escolher outro carro ou terminar o serviço.

Quais são as vantagens e desvantagens do renting automóvel?

Se estiveres a pensar em fazer um renting automóvel, é importante estares a par das vantagens e desvantagens, para tomar uma decisão acertada.

Vantagens do renting automóvel

A principal vantagem do renting automóvel passa por não teres de te preocupar com os custos de manutenção do carro. Mas os benefícios não ficam por aqui.

  • O renting é um aluguer, não uma compra: este serviço confere maior flexibilidade para escolher e trocar de carro.
  • Renting sem entrada: ao contrário do financiamento convencional, na maioria dos contratos não é necessário pagar entrada, o que facilita o acesso a um carro novo sem grande desembolso inicial. 
  • Previsibilidade financeira: a mensalidade que pagas é sempre a mesma; por isso, sabes sempre o que vais pagar por mês. Esta certeza ajuda a controlar os gastos.
  • Não pagas manutenção: a empresa de renting é a responsável por suportar os custos das revisões, das reparações e até da troca de pneus. Também inclui seguro, pelo que esta é mais uma despesa que evitas.
  • Desvalorização do carro não é problema: no fim do contrato, devolves o carro e a empresa de renting vende-o no mercado de usados. O valor de revenda do veículo, bem como o seu destino final, não é uma preocupação para ti.
  • Tens acesso a serviços exclusivos: os veículos em regime de renting automóvel, em regra, beneficiam de menos tempo de espera nas oficinas e assistência rodoviária 24 horas.
  • Sem entrada inicial: ao contrário de outros modelos de financiamento, não é necessário pagar um valor inicial elevado para começar a utilizar o veículo.
  • Acesso a carros mais recentes: o renting permite conduzir modelos novos ou de gama superior, que poderiam não ser acessíveis numa compra tradicional.
  • Gestão simplificada: a manutenção, revisões, seguro, impostos e outros encargos são normalmente incluídos na mensalidade, o que reduz a gestão associada ao automóvel.
  • Menor preocupação com a desvalorização: no final do contrato, o veículo é devolvido, pelo que não há preocupação com a perda de valor no mercado de usados.

Desvantagens do renting automóvel

O renting automóvel também apresenta algumas desvantagens, cujo peso pode fazer a diferença na decisão final. 

  • Não és o proprietário do veículo: o carro pertence sempre à empresa de renting, o que significa que não constróis património nem tens um carro em teu nome.
  • Limite de quilómetros contratualizado: pode acontecer que o número de quilómetros contratualizados se revele insuficiente. Contudo, é possível pedir uma revisão do contrato antes que termine e atualizar essa clausula. Tem em atenção, contudo, que essa alteração pode ser cobrada.
  • Penalizações por cancelamento antecipado: quando contratas um renting automóvel, tens de o levar até ao fim, a não ser que esteja definido no contrato. Caso contrário, terás de pagar um valor extra elevado. Se entrares em incumprimento, podes perder o veículo e entrar em ações judiciais que te obriguem ao pagamento.
  • Não podes alterar o veículo: como não és o proprietário, qualquer alteração ao veículo depende de autorização da locadora e pode não ser permitida.
  • Mensalidade contínua: ao contrário da compra, em que o pagamento termina após o crédito, no renting há sempre uma mensalidade durante todo o contrato.
  • Custos por danos no veículo: no final do contrato, podem ser cobrados danos que excedam o desgaste normal do veículo, após a avaliação da empresa de renting.

Renting vs leasing vs crédito automóvel

Apesar de muitas vezes serem confundidos, renting, leasing e crédito automóvel funcionam de forma bastante diferente.

 

Renting

Leasing

Crédito

Propriedade do veículo

Empresa de renting

Empresa de leasing (até à opção de compra)

Cliente

Uso do carro

Utilização mediante contrato

Utilização com opção de compra no final

Propriedade desde o início

Entrada inicial

Normalmente não existe

Pode existir

Normalmente exigida

Mensalidade

Fixa e inclui serviços

Fixa, sem serviços incluídos

Apenas pagamento do financiamento

Serviços incluídos

Sim (manutenção, seguro, etc.)

Não (geralmente à parte)

Não

Quilometragem

Limitada contratualmente

Pode existir limite

Sem limite

Fim do contrato

Devolução do veículo

Compra, devolução ou novo contrato

Veículo é do cliente

Gestão e burocracia

Muito reduzida

Média

Alta

Manutenção e custos extra

Incluídos na maioria dos casos

Por conta do cliente

Por conta do cliente

E se não conseguir continuar a pagar a mensalidade?

Se, durante o contrato de renting, deixares de conseguir pagar a mensalidade, o mais importante é contactar a empresa de renting o quanto antes. Ignorar a situação pode agravar o problema, originando juros de mora, penalizações, incumprimento contratual e, em último caso, a recuperação da viatura pela entidade financeira ou gestora do contrato.

Dependendo das condições do contrato e da fase em que te encontras, podem existir algumas soluções, como renegociar o prazo, ajustar a quilometragem contratada, rever os serviços incluídos ou avaliar uma rescisão antecipada. No entanto, terminar o contrato antes do prazo acordado pode implicar custos adicionais, por isso é essencial pedir uma simulação dos valores em dívida antes de tomar qualquer decisão.

Também é importante confirmar se existe possibilidade de transferência do contrato para outra pessoa ou empresa, quando permitido. Esta opção pode ajudar a reduzir o impacto financeiro, mas está sempre sujeita à aprovação da entidade gestora. Em qualquer caso, ler as cláusulas sobre incumprimento, rescisão antecipada e devolução da viatura é fundamental para perceber quais são os direitos, deveres e custos envolvidos.

Renting automóvel compensa?

O renting tende a ser uma boa opção quando o objetivo é ter previsibilidade e acesso facilitado a um carro novo se queres trocar de carro regularmente, sem te comprometeres com a compra a longo prazo. Se valorizas custos mensais fixos, sem surpresas com manutenção, seguro ou impostos também pode ser uma boa opção.

Por outro lado, o renting pode não ser a melhor opção se queres ficar com o carro a longo prazo, sem ter de continuar a pagar mensalidades. Em resumo, se o teu objetivo é minimizar o custo total a longo prazo, esta pode não ser a melhor opção.

Renting ou compra: quanto custa por mês?

Para comparar renting e compra de forma justa, é preciso considerar mais do que o valor da mensalidade. Assumindo um carro com preço de compra de 30.000 €, utilização durante 48 meses e 15.000 km por ano, o custo real da compra deve incluir a desvalorização, manutenção, pneus, seguro, IUC e eventuais juros de financiamento. Por exemplo, se ao fim de quatro anos o carro valer cerca de 16.000 €, só a desvalorização representa 14.000 €, ou cerca de 292 € por mês. Somando seguro, manutenção, pneus e impostos, o custo mensal total pode facilmente aproximar-se dos 450 € a 550 €, antes de considerar custos imprevistos.

No renting, a comparação é mais direta, porque muitos desses custos podem estar incluídos numa mensalidade fixa. Se a mensalidade for, por exemplo, 500 € por mês durante 48 meses, com 15.000 km anuais incluídos, o custo total será de 24.000 € no final do contrato. Dividindo esse valor pelos 60.000 km contratados, o custo será de cerca de 0,40 € por quilómetro. Na compra, usando o mesmo período e quilometragem, se o custo total de utilização ficar nos 24.000 € a 27.000 €, o custo por quilómetro poderá rondar os 0,40 € a 0,45 €, dependendo sobretudo do valor de revenda e dos custos de manutenção.

Na prática, comprar pode compensar mais para quem pretende manter o carro durante muitos anos, fazer poucos quilómetros ou valorizar a possibilidade de o vender no futuro. Já o renting pode ser mais vantajoso para quem prefere previsibilidade, não quer lidar com a revenda e valoriza ter manutenção, seguro e outros serviços incluídos numa só mensalidade. A melhor escolha depende sempre do tipo de utilização, da quilometragem anual, da duração prevista e da importância dada à estabilidade dos custos.

O que acontece no final do contrato?

No final do contrato de renting, terás de devolver o veículo à empresa, onde será feita uma avaliação do estado geral do carro antes do encerramento do processo. Nesta fase, é verificado o nível de desgaste do carro e podem ser cobrados eventuais danos que ultrapassem o desgaste considerado normal.

Consoante o contrato e a empresa de renting, poderás optar por renovar o contrato, escolher um novo veículo ou, em alguns casos, adquirir a viatura.

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Renting automóvel: dúvidas frequentes

O renting automóvel pode suscitar algumas dúvidas, às quais respondemos de seguida.

Quais são os documentos necessários para o contrato de renting automóvel?

Cartão de Cidadão e documento comprovativo de morada, última declaração de rendimentos entregue nas Finanças e respetiva nota de liquidação, Declaração de vínculo laboral e últimos três recibos de vencimento e os últimos 3 extratos mensais das contas de depósito à ordem. Pode também ser necessária a identificação do veículo escolhido, através de proposta ou fatura pró-forma emitida pelo stand.

Se o meu renting automóvel prever pneus ilimitados, posso trocar sempre que quiser?

Não. A troca de pneus só pode ser feita quando atingem a dimensão mínima estipulada por lei, e em locais definidos pela empresa de renting.

Quem é que paga as multas?

É a empresa de renting que recebe as multas, mas cabe-te a ti fazer o pagamento. A nota de infração/liquidação é enviada pela locadora.

Quem é que paga os danos na viatura?

Todos os danos que não resultem do desgaste natural do veículo terão de ser suportados por ti. No final do contrato, a locadora faz uma verificação do estado do carro e, se aplicável, cobra-te os danos.

Posso aumentar a duração do contrato?

Depende do que contratualizaste com a locadora, mas é possível que o contrato seja estendido, geralmente com redefinição das condições.

E se eu quiser devolver o carro antes de o contrato terminar?

Poderás fazê-lo, mas estarás sujeito ao pagamento de uma penalização associada, por incumprimento das cláusulas do contrato de renting automóvel.

Posso transmitir o renting automóvel para outra pessoa?

Não. Dado que não és o proprietário, não podes transmitir o contrato a outrem. Qualquer cedência neste aspeto pode dar origem à anulação do contrato, com as devidas penalizações.

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